19.9.05

Joe Nickell

Joe Nickell é uma das pessoas mais amáveis, simpáticas e engraçadas que já conheci na vida.

Para aqueles que não dispensam sua apresentação, Mr. Nickell faz parte do CSICOP (Comitte for Scientific Investigation of Claims of Paranormal) e é autor de dezenas de livros que são referências para os céticos de todo o mundo.

Encontrei-o no lobby do hotel, logo depois do almoço (que merece um post à parte sobre a comida argentina). Ele estava com Alejandro Borgo, editor da Pensar e coordenador do evento, e Benjamin Radford, editor assistente da revista. Quando me apresentei e disse que era um grande fã dele, Nickell abriu um largo sorriso e exclamou "Oh, my second fan!!" e me deu seu cartão de visitas, um nickel de madeira (nickel... Nickell, entendeu?). Depois me explicou que aquele nickel era mágico e o fez sumir entre seus dedos e aparecer em lugares inusitados, performance que eu o veria fazer diversas outras vezes ao longo dos dias seguintes, sempre com o mesmo entusiasmo.

De início achei que ele seria uma figura um tanto inacessível mas estava bastante enganado. Nos dois dias seguintes conversamos muito, o que só fez crescer minha admiração por ele. Na noite de sábado eu e Juan deGenaro, do "Argentina Skeptics" tentavamos fazer uma espécie de "entrevista coletiva" com Benjamin, que trabalha investigando fenômenos paranormais com Nickell, no bar do Hotel, quando o próprio Nickell se sentou em nossa mesa e nos brindou com horas de conversa impagável. Eu, que até então estava gravando tudo meio improvisadamente com o Palm da minha esposa, pedi permissão a ele para que pudesse gravar suas palavras. Ele me disse "I'm very shy...", mas concordou. De qualquer maneira a esta altura o Palm já tinha travado duas vezes (não se pode confiar em nada que não use Mac OS?!) e a entrevista trilíngue não estava rendendo muito para o fim que eu gostaria (um futuro podcast cético), com mais e mais pessoas chegando ao bar, o barulho de fundo ficando cada vez mais alto e as cervejas passando perigosamente sobre o Palm na mesa. Depois de um tempo desliguei o troço todo e curti a conversa.

Depois da minha apresentação no domingo abandonei um pouco a conferência e o encontrei sentado no corredor, descansando e rascunhando algo em um bloquinho. Ele puxou conversa e me disse que tinha gostado bastante da minha apresentação (que foi em espanhol, mas com tradução simultânea). Um elogio do Joe Nickell... coisas que o dinheiro não paga. Depois me revelou que está escrevendo um livro infantil para seu neto e que escreve poesias nas horas vagas. Tudo sem computador, que odeia (aliás ele não tem email), o que eu já tinha desconfiado quando ele utilizou um velho projetor de slides em sua apresentação; projetos que deu tanto trabalho, que depois de conseguir deixar tudo funcionando Nickell exclamou com outro largo sorriso "it's a miracle!!".

Encontramo-nos novamente no lobby do hotel, na segunda feira, quando mais ou menos à mesma hora todos fechavam suas contas. Conversamos um pouco mais sobre a melhor maneira de divulgar o ceticismo, perguntei-lhe sobre o racha no CSICOP e a saída de algumas pessoas logo nos primeiros anos e mais algumas coisas. Ele acredita que o ceticismo só pode ser conduzido com investigação e pensa que esta investigação deve ser feita de mente aberta e não simplesmente chegando ao local do fenômeno arrogantemente já convencido de que se trata de uma farsa e usar de todos os meios para desmascará-lo. Em resumo, ele não acha impossível que exista uma casa realmente assombrada, apenas não descobriu nenhuma ainda.

Finalmente nos despedimos com uma brincadeira, com ele dizendo que eu poderia ser seu discípulo. E eu sem nenhum livro seu para pedir uma dedicatória... (como se sabe, a única maneira decente de se pedir um autógrafo a alguém).

Grande Mr. Nickell... espero vê-lo novamente.

1 Comments:

Blogger Luis Brudna said...

Que inveja! :-)

5:33 PM  

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